sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A recuperação não tira férias - Parte 03


Bom esta parte parece fácil de contar, foi a tão sonhada viagem que a minha esposa queria, a viagem para Uruguaiana terra da mãe dela. Foi uma viagem muito boa, pois, meus sogros são pessoas ótimas que eu adoro, pessoas inteligentes, educadas, e principalmente muito carinhosos. Meu sogro é um tradicionalista convicto, mas com um coração enorme, e minha sogra nem sei o que falar, é uma pessoa amável, sei lá os dois são alegres, muito divertidos, mas quando tem que dar uma dura, eles dão.
Desde que entrei para família me tratam como se eu fosse um filho. Apesar da minha doença, e eu sei que não deve ser fácil para um pai, ou uma mãe, aceitar que sua filha case com um dependente químico, mas mesmo assim sempre me trataram muito bem, me aconselhando nos momentos difíceis, nos dando todo o apoio necessário, e como eu disse antes me tratando como um filho.
Esta viagem foi completamente diferente das outras, porque nas outras foi mais um lance de conversar com meu irmão e irmã, coisas da nossa família, coisas mal resolvidas por minha parte, algumas reparações que deveria fazer. Quando fazemos um tratamento estudamos os doze passos, que é um livro com doze sugestões que ajudam a pessoa a permanecer limpo, permanecer em pé, e quando se faz reparações é o passo nove (mas isso é uma outra história). Nesta viagem fomos nos divertir, tiramos muitas fotos (coisa que eu quase não tinha), Uruguaiana é uma cidade linda, muito bem cuidada. Fiz minha primeira viagem internacional, fui para a Argentina, nos pararam na imigração, na fronteira (ainda bem que parei com o bagulho hehehehehehehe), o legal que minha esposa estava muito feliz (aconteceram alguns contra tempos que não valem a pena serem citados), fizemos compras, eu gosto muito de relógios, acho muito tri, mas como eu não gosto de usar pulseiras, correntes, estes troços, queria muito comprar um relógio de bolso, procuramos muito até que achamos em uma loja na Argentina e o melhor minha sogra me deu de presente (obrigado sogra), foi ótimo passar estes dias com eles, ver minha esposa feliz, me fez muito bem, me deixou feliz também, e não posso deixar de dizer que depois que entrei para esta família, minha vida mudou muito porque além de me tratarem como filho, me proporcionaram conhecer um lado da vida que eu não conhecia, que é possível se divertir de cara. Passeamos muito, sempre que eles podem nos levam em algum lugar para almoçar ou jantar,  passeamos no shopping, ou simplesmente vamos na casa deles. Isso tudo graças a minha esposa que não desistiu de mim, a única coisa que eu fico um pouco chateado é que nossas famílias não se conhecem, mas fazer o que nem tudo é perfeito e tudo tem o seu momento.
PARA FINALIZAR QUERO AGRADECER: OBRIGADO SR. PEDRO AURÉLIO E SRA. SANDRA MARA POR TUDO. E OBRIGADO MINHA ESPOSA MONICA POR NÃO DESISTIR DE MIM.
Ah já ia esquecendo meu último dia de férias eu também estava às 09:00hs no consultório do psiquiatra, comecei e terminei minhas férias com ele, hehehehehehehehe.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A recuperação não tira férias – Parte 02 – Praia


Após o retorno de São Paulo fiquei uns quinze dias em casa com a minha esposa, dias ótimos. Logo no retorno já tinha uma consulta com a minha psicóloga, aonde vou e deixo um pouco dos meus fantasmas internos que ainda me assustam.
No restante dos dias aproveitei para matar a saudade da esposa, passear com ela, ler, ver filmes (coisa que eu adoro), visitar minha mãe que eu amo muito, e combinamos de ir para praia com minha irmã, foi aí que começou o grande desafio, e uma grande descoberta pra mim.
Como minha esposa não pode ir junto, pois, estava trabalhando e o meu passado me condena logo na saída pra praia já foi à maior briga. Mas não culpo a minha esposa, no início ela até aceitou na boa (naquelas) hehehehehee, mas depois ela ficou preocupada e claro com ciúme, não que eu seja o cara mais lindo do mundo, mas já fui muito canalha e mulherengo.
Nesta ida a praia descobri que não adianta o quanto eu me esforce e esteja tentando fazer as coisas corretamente, da melhor maneira possível, as pessoas que me conheceram na época da ativa nunca mais irão confiar em mim, nem minha mãe, irmã, amigos, esposa, ninguém...e não é auto piedade eles tem toda razão, ao natural as pessoas já não confiam umas nas outras, imaginam em uma pessoa que passou boa parte da vida usando drogas e mentindo. Em uma citação de Willian Shakespeare de O menestrel ele diz o seguinte “Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la...e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida”. Mas fazer o que eu tenho que conviver com isso e aceitar, e acreditar em mim, se quiser provar alguma coisa pra alguém vou recair. Acredito que talvez isso aconteça com algumas pessoas que estão há dez, vinte anos em pé, cansam de tanto querer provar alguma coisa, de que são capazes, e esquecem deles mesmo, porque o mundo nem sabe que nós existimos é cada um por si, então perdem a FÉ E RECAEM.
Uma coisa que eu já vinha observando diariamente e que se confirmou na praia é que a maioria das pessoas vivem no automático, não percebem que fazem parte de um todo. Somente vivem, acordam, trabalham, dormem, e assim automaticamente diariamente. Acho eu que se cada pessoa tirasse cinco minutos do seu dia para refletir em como as coisas acontecem no mundo, que nada é por acaso, que estamos todos interligados, pois, tudo e todos são cria do criador o mundo seria bem melhor. Na praia tive muitas conversas com minha irmã, sobre espiritualidade, algumas reveladoras sobre a família, coisas do passado, bons momentos como tive com meu irmão na primeira parte.
As vezes tenho momentos maravilhosos de espiritualidade, como tive na praia quando entrei no mar e via as ondas vindo em minha direção e no horizonte o mar se juntando com o céu, se completando e eu ali dentro em uma sensação de harmonia, de fazer parte de um todo, sentindo toda aquela energia, eu ria sozinho desfrutando de toda aquela sensação. E olhava para os lados e queria que todos sentissem a mesma coisa, mas sei que não é assim que as coisas funcionam, e nos outros dias não tive mais esta sensação, mas foi maravilhoso e fui abençoado com esta oportunidade.
Quando a gente começa a sentir estas coisas e descobrir novos sentimentos, a ter e buscar um pouco mais de entendimento, porque é muito bom e a gente começa a querer descobrir mais a responsabilidade também se torna maior, quanto mais conhecimento mais responsabilidade, não posso ficar com esse conhecimento só pra mim, todo o aprendizado, todo o amor, espiritualidade, carinho, compreensão, tem que ser transmitido e saber que cada um tem seu tempo para aprender, não é no momento que eu quero é no momento que ELE QUER. MINHA IRMÃ TE AMO.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A recuperação não tira férias. - Parte 01 - São Paulo



Bom hoje voltei ao trabalho após 30 dias de férias, mas férias somente do trabalho pois a recuperação não tira férias, aliás eu tenho que estar mais atento ainda, pois saio da minha rotina diária da qual estou acostumado, de trabalho, disciplina e claro espiritualidade, para dar lugar ao ócio.
Afinal de contas passei um ano todo trabalhando e estudando, também tenho direito de descansar. E sinceramente não me lembro de ter tido umas férias tão boas (umas eu não lembro mesmo heheheh). Meu primeiro dia de férias às 09:00 horas da manhã estava eu no consultório do psiquiatra na minha consulta mensal, após fui buscar minha carteira de identidade, coisa que não tinha a anos para poder viajar. No outro dia estava pegando o avião para São Paulo passar uns dias com meu irmão, cunhada, minha linda sobrinha. Foram cinco dias que nunca pensei que passaria com meu irmão. Uma porque antes eu estava sempre louco e tinha inveja dele, por ele ser bem sucedido. Hoje o admiro e sei que tudo que ele conseguiu não veio de graça, ele perseverou, estudou, trabalhou, enquanto eu estava fazendo festa e usando droga, ele estava em cima de um livro, e pela primeira vez em 38 anos que conversamos de verdade como homens, falei que o invejava.
Hoje o admiro e que o amo e que se ele conseguiu eu também posso, como todos podem é só ter vontade perseverar e não desanimar no primeiro problema que aparecer, aprendi muito com ele nestes dias, e como é bom que ele apesar de tudo também me ouvia. Teve uma situação em que já estava indo dormir e desci pra tomar meu remédio, quando cheguei na cozinha ele estava tomando uma taça de vinho, conversamos mais ou menos meia hora e eu fui dormir. No outro dia ele me perguntou se eu tinha ficado chateado ou de cara por ele estar bebendo, eu respondi "claro que não, quem não pode beber sou eu", eu não posso e não tenho o direito de exigir que os outros não bebam ou deixem de fazer o que quiserem, se não o mundo todo iria ter que mudar por causa de mim.
Eu tenho que aprender a viver com a minha doença, com os meus limites, e deixar os outros viverem a vida deles. Quanto tempo a minha mãe não viveu por minha causa, o meu pai, irmãos, esposa, eu queria ser o centro das atenções, invejoso, orgulhoso, auto piedoso, eu não posso mudar ninguém só a mim mesmo, como disse John Lennon "Eu estive em todos os lugares mas só me encontrei em mim mesmo".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fundo do poço=Fé - Felicidade=Esquecimento.

Temos o costume de procurar Deus (ou o poder superior de preferência de cada um), somente quando estamos com problemas, e as vezes não prestamos atenção nas respostas que o senhor nos dá diariamente.
Se não tenho uma vida regrada os problemas são muito mais fáceis de acontecerem e mais difíceis de serem resolvidos.
As vezes Deus nos dá algumas dificuldades, não só financeiras, mas com familiares, emprego, doenças e outras para que nos aproximemos Dele e nada é por acaso, só vamos entender lá adiante. Porque o amor de Deus é tão grande que Ele nunca nos abandona.
Deus nos dá respostas e sinais a todo momento, mas geralmente estamos ocupados demais conosco para percebermos.
Quando estamos felizes, com tudo correndo bem a nossa volta não damos os créditos à Deus, achamos que somente a nossa busca, o nosso trabalho foram suficientes e nos enchemos de orgulho. Mas é só as coisas saírem um pouco do nosso controle que ficamos perdidos, sem saber o que fazer, nossa auto suficiência acaba e começamos a orar e pedir a ajuda de Deus. Se perdemos um pouco mais o controle somos capazes até de ir a igreja.
E se o problema não é solucionado com rapidez, começamos a culpar Deus pela nossa desgraça, pelo nosso uso de drogas, pela nossa prisão, pela nossa doença. Acho que todos já ouviram falar que a solução para dependente químico é os três Cs: clínica, cadeia ou cemitério. O DQ tem essa mania de transferir a culpa, cheio de auto piedade e manipulação, só chegando no fundo do poço mesmo para começar a aceitar ajuda.
Mas Deus è tão bondoso e amoroso com nós que Ele sempre nos ajuda. E as vezes para resolver uma dificuldade Ele nos manda outra para abrirmos os olhos. Após um tratamento muitas dificuldades virão e não podemos perder a confiança em Deus e em nós mesmos, temos que fazer tudo que está ao nosso alcance para permanecermos em pé, por nós e por todos que acreditaram em nós depois de tudo que fizemos, magoamos.
Devemos lembrar de Deus em todos os momentos da nossa vida, e fazer a nossa parte da melhor maneira que pudermos, pois, Deus nunca nos abandona não importa a situação. Um forte abraço!